Fotografia noturna é tema de exposição coletiva no Itaú Cultural

Mostra integra programação do 5º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo

Cerca de 300 cliques noturnos compõem “Ainda Há Noite”, exposição que o Itaú Cultural inaugura nesta quarta (12).​

Afiliada ao 5º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo —que, de quinta (13) ao domingo seguinte, 16, tem uma programação de palestras e debates sobre o suporte—, a mostra organizada por Claudi Carreras e Iatã Cannabrava explora aspectos da identidade da região que se tornam visíveis justamente nas horas escuras do dia.

Entre os tópicos abordados pelos dez fotógrafos participantes, estão assuntos como liberdade e controle —discutido, por exemplo, em “Píxeles”, série do argentino Alejandro Chaskielsberg que brinca com a onipresença dos smartphones hoje— e a violência.

O último, aliás, é o tema mais recorrente entre os projetos exibidos. É o caso de “Chile 874”, parceria de Chaskielsberg e Cristóbal Olivares que registra os protestos da população chilena contra o governo entre 2011 e 2013 —874 foi o número de estudantes presos em um único dia.

Também na série “História Natural do Silêncio”, do colombiano Jorge Panchoaga, o assunto aparece. Suas imagens retratam o impacto da economia do narcotráfico sobre pessoas carentes em todo o território do país.

Imagem da série ‘Purgatório’, de Ignacio Iturrioz, que integra a coletiva ‘Ainda Há Noite’, no Itaú Cultural

Confira, abaixo, a programação do encontro. Para participar das conversas, basta retirar seu ingresso uma hora antes.


5º FÓRUM LATINO-AMERICANO DE FOTOGRAFIA DE SÃO PAULO

– Fórum Escuta, com Andrea Josch (Chile), Daniel Sosa (Uruguai), Guadalupe Lara (México), João Kulcsár (Brasil) e Tiago Santana (Brasil), de 14h30 às 17h30, piso 2

– Palestra com o doutor em psicologia e colunista da Folha Contardo Calligaris, de 18h às 19h30, sala Itaú Cultural

– A Realidade e Suas Narrativas Ficcionais, com Azu Nwagbogu (Nigéria), Jaime Abello (Colômbia) e Verônica Stigger (Brasil) e mediação Claudiney Ferreira, de 20h30 às 22h30, sala Itaú Cultural

14/6

– Reunião da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil (RPCFB), 10h às 12h30, sala vermelha

– Fórum Escuta, com Andrea Josch (Chile), Daniel Sosa (Uruguai), Guadalupe Lara (México), João Kulcsár (Brasil) e Tiago Santana (Brasil), de 14h30 às 17h30, piso 2

– Apresentação de Festivais, com representantes do Festival de Fotografia de Paranapiacaba (Brasil), Festival Gabo (Colômbia), Felifa – Festival de Libros de Fotografía (y Afines) (Argentina), FIFV – Festival Internacional de Fotografía de Valparaíso (Chile) e Festival de Fotografia de Tiradentes – Foto em Pauta (Brasil), de 14h30 às 17h30, piso 2

– Un Abrazo Latinoamericano, conversa entre Octavio Santa Cruz (Peru) e Rosana Paulino (Brasil), de 18h às 19h30, sala Itaú Cultural (piso térreo)

– Do Pop Latino ao Universo Simbólico Andino, conversa entre Freddy Mamani (Bolívia) e Marcos López (Argentina), de 20h30 às 22h30, sala Itaú Cultural

15/6

– Apresentação de Festivais, com representantes do Valongo Festival Internacional da Imagem (Brasil), Festival Internacional de Fotografía Foto México (México), FestFoto – Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre (Brasil), Lagos Photo Festival (Nigéria), Jornadas – Centro de Fotografía de Montevideo (Uruguai) e Solar Foto Festival (Brasil), de 14h às 17h30, sala vermelha

– Amor e Arte Acima de Qualquer Algoritmo, conversa entre Angela Berlinde (Portugal), Anna Muylaert (Brasil) e Maya Goded (México), de 18h às 19h30, sala Itaú Cultural

– Ainda Há Noite, conversa entre os curadores Claudi Carreras (Espanha) e Iatã Cannabrava (Brasil) e os fotógrafos que integram a coletiva, de 20h30 às 22h30, sala Itaú Cultural

16/6

– Plenária do Fórum Escuta, com Andrea Josch (Chile), Daniel Sosa (Uruguai), Guadalupe Lara (México), João Kulcsár (Brasil) e Tiago Santana (Brasil) e mediação de Maíra Gamarra (Brasil), de 11h às 12h30, sala Itaú Cultural

Av. Paulista, 149, Bela Vista, região central, tel. 2168-1777. Ter. a sex.: 9h às 20h. Sáb. e dom.: 11h às 20h. Até 11/8. Livre. Abertura qua. (12), às 20h. GRÁTIS

FOTOS: as manifestações contra os cortes na educação vistas do alto

Imagens mostram os protestos nas principais cidades do país.

O bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) gerou protestos por todo país nesta quinta-feira (30). Diversas instituições de ensino paralisaram suas atividades.

Brasília (DF)

BRASÍLIA, 11h30: Manifestantes protestam nesta quinta-feira (30) na Esplanada dos Ministérios contra os cortes na educação

Rio Branco (AC)

RIO BRANCO, 09h23: Manifestantes se reúnem no Centro de Rio Branco nesta quinta-feira (30) 

Salvador (BA)

Salvador, às 11h: caminhada começou por volta das 10h40

Teresina (PI)

TERESINA, 10h40: manifestantes interditaram um dos sentidos da avenida Frei Serafim.

PORTO ALEGRE (RS)

Ato percorreu ruas da cidade como a Borges de Medeiros

Saiba como deixar suas fotografias de viagem ainda mais bonitas

O que é mais importante: fazer um tour por uma atração turística ou publicar uma foto que “bombe” nas redes sociais ? De acordo com um levantamento realizado pelo site de busca de hospedagem Hoteis.com com 500 viajantes brasileiros, 41,4% preferem colecionar curtidas a visitar um ponto de interesse durante as férias. Outra pesquisa recente, esta da Booking.com, mostra que 28% dos 21.500 entrevistados em 29 países admitem que se hospedar em propriedades atraentes, onde possam tirar foto para publicarem em suas redes, é algo que eles têm em mente ao escolherem uma acomodação.

Os números só reforçam a sensação de que a fotografia se tornou parte fundamental da viagem , sobretudo com a popularização de smartphones que não fazem feio perto de câmeras tradicionais.

Luz exterior

Linguagens e equipamentos diferentes, mas que dependem igualmente do olhar e de algumas regrinhas básicas de fotografia, como se posicionar com o sol às costas, deslocar o objeto da foto para os cantos ou usar algum componente para criar uma noção de perspectiva (como linhas de uma estrada ou montanhas, e pessoas em contraste com a paisagem).

Fotografar nas primeiras horas após o amanhecer e pouco antes do pôr do sol é outra dica importante. Quanto mais perto do meio-dia, mais difícil encontrar um equilíbrio entre luz e sombra. E, em caso de selfies, o recomendável é levantar um pouco o braço, para pegar o rosto de cima para baixo.

Outra regra de ouro é aproximar a lente do objeto ou do personagem a ser fotografado.

— Em fotos em pontos turísticos, é muito comum a pessoa fotografada estar pequenininha lá no fundo — avalia a fotógrafa Márcia Foletto — A vontade de mostrar tudo é o caminho para deixar a foto confusa. Costumo dizer aos amigos: “Enquadre a pessoa na frente do cenário; e quando achar que já está bom, dê cinco passos para a frente.”

Planejamento é tudo

Mesmo para quem clica apenas por prazer ou vontade de eternizar um momento, planejamento é importante, como defende Custodio Coimbra, também do time fotográfico do jornal.

— Uma dica é pesquisar o local antes de viajar, para saber o que dali é realmente único, algo que pertença à cultura local, e que vai render uma imagem interessante — sugere ele. — Também vale pesquisar outras imagens já feitas naqueles locais que escolher. Não para copiar, é claro, mas para ver, por exemplo, o posicionamento do sol, como é a a luz, que ângulos vale tentar.

GUIA RÁPIDO DE FOTOGRAFIA

1- Fique a favor do sol

Posicione-se sempre com a fonte de luz (o sol,uma luminá-ria) às suas costas. A não ser que o efeito desejado seja exatamente o contraluz.

2- Chegue bem perto

Retratos ficam melhores com a câmera mais próxima da pessoa.

3-Fuja do centro

Para uma imagem mais atraente e menos convencional, tente colocar seu tema fora do centro do quadro (habilitar a grade de alinhamento nas configurações da câmera pode ajudar).

4- Mude o ponto de vista

Tente ângulos diferentes. Para clicar cachorros, por exemplo, abaixe o aparelho até a altura da linha de visão do animal.

5- Para o alto e avante

No caso de selfies, o ideal é posicionar a câmera um pouco mais para o alto.

6- De olho na geometria

Explore as linhas já existentes do cenário, como estradas, contornos de montanhas ou fachadas de construções, para dar uma noção de profundidade.

Como tirar melhor proveito da câmera do celular

Foi-se o tempo em que o equipamento fotográfico precisava ocupar parte significativa da bagagem do viajante. Mesmo fotógrafos profissionais já admitem dar férias a câmeras e lentes quando não estão trabalhando, e usar os celulares para registrar suas viagens com mais agilidade e menos peso.

Ana Branco, faz parte desse time. Ela usou basicamente seu iPhone em viagens recentes, seja a Alagoas ou à Itália:

— Celulares, com suas lentes grande angulares, são ótimos para fotografar paisagens amplas. Mas por serem leves e muito fáceis de carregar, são bons também para registrar detalhes que ajudam a contar a história de uma viagem.

Editar durante a própria viagem

Para ela, um efeito colateral da facilidade propiciada pela tecnologia é uma certa “compulsão de fotos”, com pessoas registrando praticamente tudo. A solução? Começar o processo de edição durante a viagem, elencando prioridades do que se quer clicar.

— A dica é pensar num álbum de fotos que você mostraria aos outros, ou que gostaria de ver — diz. — Se for a um museu, por exemplo, faça uma foto da fachada e outra com você e sua companhia em frente. Depois, dedique-se aos detalhes e a aquilo que só as imagens podem explicar.

Dedicar alguns momentos no final do dia para apagar as imagens repetidas, ou que não ficaram tão boas, também faz parte desse trabalho de edição, segundo a fotógrafa.

O que evitar

Apesar de reconhecer a qualidade técnica dos aparelhos modernos, ela lembra que eles têm limites. O zoom é o maior deles:

— Não use o zoom do celular. É a ferramenta da preguiça. As fotos não ficarão boas. Em vez disso, se aproxime daquilo que deseja fotografar. É melhor registrar o quadro mais aberto e depois, na edição, aproximar a imagem.

Também se deve evitar o flash, a não ser que a ideia seja fotografar alguém num ambiente escuro:

Também se deve evitar o flash, a não ser que a ideia seja fotografar alguém num ambiente escuro:

Em busca do clique perfeito

Assim como as lentes do celulares evoluíram, os recursos das câmeras compactas e semiprofissionais também melhoraram com os anos. Então, para ir além das fotos para exibir nas redes sociais, vale a pena investir nelas.  É o que garante Márcia Foletto, repórter fotográfica .

— Para imagens mais gerais, o celular funciona bem — avalia a profissional. — Mas se você quer pensar em detalhes, é importante ter lentes zoom diferentes, que conseguem alcançar amplitudes e ângulos maiores. Existem ótimas câmeras compactas com esses recursos, algo de que as lentes dos celulares não são capazes.

Estas características são fundamentais especialmente para situações mais adversas, explica Custodio Coimbra, também repórter fotográfico.

— Se você está fotografando algo em movimento, ou num local sem luz, é importante ter um equipamento que permita regular seus recursos com mais precisão.

Os principais são a velocidade em que o obturador abre e fecha, deixando passar a luz (o tempo do “clique”). E o diafragma, que é o diâmetro da abertura das lentes e que define a quantidade de luz que entrará na câmera. Quanto maior for a abertura, mais luminosa será a foto.

E para registrar aquele prato de comida especial, ou tirar foto em locais muito cheios, esses recursos ajudam? A seguir, os dois profissionais dão dicas de como fazer o melhor uso da câmera fotográfica nessas e em outras situações de viagem.

À noite

Mascarado durante a Festa do Divino em Prinópolis, no interior do Goiás: exemplo de fotografia no lusco-fusco ao anoitecer, por Custodio Coimbra Foto: Custodio Coimbra / Agência O Globo

Fotografias noturnas precisam de luz e foco. Dificilmente, o viajante estará com um tripé na mala. Então, a alternativa é escorar a câmera ou o celular em algum local e usar o timer. Assim, não há risco de tremer ao clicar, diz Márcia.

— Mas lembre-se de que a foto pode ficar muito mais interessante se for feita no “lusco-fusco”, quando o céu ainda não ficou completamente negro ao anoitecer. Pode ser uma boa observar o horário em que o sol se põe na cidade onde você está e planejar o momento ideal para se estar.

Em movimento

Pulando de parapente ou dentro de uma gruta? Nessas horas, a lente da câmera faz toda a diferença. Segundo Custodio, para locais de baixa luminosidade, além da velocidade e da abertura do diafragma, é importante calcular o ISO (a sensibilidade da lente) para que ela absorva o máximo de luz possível:

— Já para fotos em movimento, é preciso aumentar bastante a velocidade, porque isso evita que a foto fique tremida, sem foco. Nesses casos, quem puder investir numa lente grande angular não vai se arrepender.

Paisagem

A composição da luz ao amanhecer com a paisagem do Parque de Itatiaia, em registro de Márcia Foletto Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Observar a posição do sol é fundamental, afirmam especialistas. O ideal é que o astro esteja bem atrás do fotógrafo, para que a imagem tenha uma luz uniforme. A regra básica, enfatiza Custodio, é lembrar: as três primeiras horas do dia (e as três últimas) são sempre as melhores para aproveitar a luz. E, embora a paisagem esteja ao fundo, evite que coisas desinteressantes apareçam na frente, alerta Márcia.

— Como é uma foto sem movimento, é preciso ficar atento à profundidade , fotografando com o diafragma mais fechado.

Uma foto de paisagem correta do ponto de vista técnico é, portanto, feita de um horizonte reto (sem cortar itens importantes), tem um elemento principal (em geral, em primeiro plano) e a exposição à luz é precisa, como esta ao lado.

—A dica é usar a chamada regra dos terços — lembra a fotógrafa Márcia Foletto. — Divida a imagem em duas linhas verticais e duas linhas horizontais. A interseção desses pontos é a área em que nosso olho tem mais atenção. Mantenha o assunto principal da foto nesses pontos.

Retratos

A melhor forma de fazer um retrato, sem perder o foco na pessoa e ainda assim mostrar o visual em torno, é se aproximar dela, enquadrando-a no centro ou na lateral.

— Uma das melhores posições é enquadrar a pessoa da cintura para cima, em plano americano, como chamamos. Assim, ela fica numa proporção harmônica com o fundo da imagem.

Jovem da aldeia Wasare, da tribo Parecis, em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, fotografado por Márcia Foletto Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Comida

Foto de gastronomia é um clássico nas redes, mas nem sempre funciona. Isso porque demanda precisão na luz e foco. Sim, dá um trabalhinho, mas vale a pena. O ideal é deslocar o prato e levá-lo para um local com uma fonte de luz. O fotógrafo deve se posicionar do lado oposto desse ponto de luminosidade. Se der, peça ajuda para alguém segurar um guardanapo branco e, ao seu lado, rebater a luz, o que vai direcioná-la para o foco da imagem, que é o prato em si.

— E simplificar a composição, sem muitos outros elementos, além da comida.

O zoom da câmera semiprofissional faz diferença. Usá-lo deixa a comida com mais volume e textura.

Aeroporto e avião

Fotos em aeroporto e avião exigem maior exposição à luz, pois costumam ser lugares escuros. O importante, por também serem espaços agitados, é ficar de olho no foco.

— Segurar a câmera com firmeza para não tremer ou apoiá-la em algum local firme e usar o timer são as melhores opções.

Quarto de hotel

Para uma foto do quarto, mostrando também a vista, a recomendação é fazer a imagem quando a luz acesa do quarto é igual à luz de fora. Isso acontece no amanhecer ou no entardecer.

— Em outros momentos, o que acontece é que o brilho fica muito forte, e perde-se a nitidez das cores — diz Custodio Coimbra.

Fotografia do bebê: tendência agora é registrar a vida ao invés de posar

Foto: (Grazi Ventura/Reprodução)

Nada das fotos clássicas dos pais na sala do parto ou as poses dos pequenos nos ensaios newborn. A nova tendência da fotografia familiar é registrar os acontecimentos do início da vida dos filhos com naturalidade, sem poses ou ensaios em estúdio. Nela, os fotógrafos agem como fotojornalistas, interagem com os pais e clicam de maneira quase imperceptível. É o caso, por exemplo, do Fresh 48, estilo importado dos Estados Unidos e Canadá. Ele consiste em registrar as primeiras 48 horas de vida do bebê, quando ele já está no quarto da maternidade com os pais. “As fotos de parto são lindas, mas podem ser muito invasivas e deixar a mulher desconfortável em compartilhar aquele momento depois”, explica Amanda Alexandre, fotógrafa carioca. No Fresh 48, o fotógrafo passa algumas horas com a família na maternidade, registrando momentos como a amamentação e o banho. “Os primeiros cuidados já foram feitos e está todo mundo mais tranquilo. Fora que é possível registrar momentos emocionantes, como a avó pegando o neto pela primeira vez”, aponta Giuliana Fraccarolli, da Fluup Fotografia.

Foto: Grazi Ventura/Reprodução

Fotografia documental

Nem sempre as fotos precisam ser feitas durante as 48 horas, podem se estender para o período que a família estiver na maternidade ou até depois disso. A fotógrafa Grazi Ventura é pioneira na fotografia documental de famílias no Brasil. Como o nome sugere, a ideia é documentar o cotidiano da família e os momentos importantes. Grazi, que tem um projeto sobre o assunto chamado Quem Fomos Nós, combina encontros periódicos com a família em ocasiões comuns, como um sábado, ou em algum momento especial, como uma viagem à praia ou o primeiro dia na escola. “As lembranças mais duradouras e gostosas nunca são as registradas nas fotos, como batizados e aniversários, mas sim coisas simples, como uma receita, o jeito de tomar café da manhã, o colo da avó”, comenta Grazi. O trabalho exige dedicação e empatia. “Converso com os pais para que eles resgatem o que é importante de verdade para eles e assim identificamos as peculiaridades da família”, explica a fotógrafa, que usa uma câmera silenciosa e pequena para que tudo ocorra com a maior naturalidade possível. “Na hora que a família descobre o resultado, é emocionante, bem diferente de um ensaio posado, que já inclui uma expectativa sobre como vai ficar a foto”, comenta.

Foto: Grazi Ventura/Reprodução

Um dia na vida

A fotógrafa Beta Borelli oferece o acompanhamento na maternidade e um pacote chamado Um Dia na Vida. “Podemos combinar com os pais de chegar com a pessoa dormindo e fotografar a família acordando, ir passear em um lugar que eles gostam e registrar o trajeto, são muitas possibilidades”, explica. “Creio que a tendência geral é fugir do montado ou mostrar coisas encenadas. Por isso importante que o fotógrafo faça o que puder para deixar a família à vontade nesse processo”, opina Beta, que oferece ainda um acompanhamento com visitas a cada dois meses no primeiro ano de vida da criança. No fim do período, os pais recebem o registro dos saltos de crescimento dos pequenos, e podem ainda programar novas experiências para o dia da visita do fotógrafo. O bebê pode conhecer um sabor novo naquele dia, ter seu primeiro contato com um bicho de estimação e por aí vai.

Foto: Grazi Ventura/Reprodução

Mais intimidade, mais investimento

Para que uma abordagem do tipo dê certo, é preciso primeiro que os pais estejam abertos a receber a presença de uma nova pessoa no cotidiano familiar. “Por isso indico que a família procure bem, feche com um fotógrafo com o qual que se identifique, converse e desenvolva uma certa empatia”, orienta Beta. Outro ponto é o valor. A fotografia documental tem um valor superior ao do ensaio tradicional, pois exige mais horas de dedicação do fotógrafo. “Para se ter ideia, em um ensaio tiramos 300 fotos para selecionar depois, enquanto num dia inteiro de acompanhamento esse número pode chegar a 3000”, aponta Grazi. Uma opção mais em conta é fazer sessões curtas, de duas horas. Nessa configuração, é possível encontrar pacotes a partir de R$600. (Bebê Abril)

Foto: Grazi Ventura/Reprodução

Brasil: “o corpo está explodindo” contra a repressão de Bolsonaro

Os movimentos de resistência “feminista, negro e LGBT” estão em foco no projecto de Filipe Ávila. Esta sexta-feira assinala-se o Dia Internacional contra a Homofobia e Transfobia.

Felipe Avila – Corpo Presente

Quando Jair Bolsonaro assumiu o poder, em Outubro de 2018, a violência física e verbal contra os membros das comunidades minoritárias tornou-se “autorizada”. “Em consequência”, explica o fotógrafo brasileiro Felipe Ávila, “as organizações não-governamentais de proteção dessas minorias tornaram-se mais ativas e reativas e a arte que se produz no Brasil está cada vez mais politizada”. O fotolivro do paulista, intitulado, Corpo Presente uma obra de forte carga política, foca-se precisamente na resistência desses grupos à repressão estatal e utiliza, como ponto de partida, as expressões corporais dos cidadãos em espaço público.

As imagens que compõem o projecto, realizadas em protestos e em celebrações nas ruas de São Paulo, revelam paisagens humanas díspares; se, por um lado, vemos pessoas que expressam livremente ideias e opiniões e que utilizam o corpo como veículo dessas mensagens de liberdade, por outro vemos pessoas completamente cobertas, que usam máscaras para se protegeremcontra o poder musculado de Bolsonaro, personificado pelas forças policiais, altamente militarizadas. Foi, aliás, essa dialéctica que aguçou a curiosidade de Felipe.

A eleição de Bolsonaro no Brasil “é um reflexo do que se passa no resto do mundo”, opina o fotógrafo. O conservadorismo, que na visão de Felipe tem origem numa visão ocidentalizada do mundo, está a alterar as dinâmicas sociais e a colocar em perigo as minorias no país. “Bolsonaro está a alterar a legislação de forma a desproteger esses grupos. Os efeitos dessas mudanças começam a tornar-se visíveis, mas ainda é cedo para percebermos a extensão dos danos da sua legislatura.” Os movimentos de resistência “feminista, negro e LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e transgênero]” estão em foco no projeto de Ávila.

Na opinião de Felipe, este é o momento de os brasileiros reagirem, começarem a ter consciência das limitações que lhes são impostas pelo exterior e de recuperarem o controlo, “a liberdade”. “O corpo está explodindo”, diz, metaforicamente. “As pessoas já não aguentam mais que lhes digam o que podem ou não fazer com o próprio corpo. É o aborto, o uso de drogas, as intervenções no corpo… Não queremos mais que o Estado, a polícia, as instituições, o mercado ou outras pessoas mandem no nosso corpo. Queremos fazer o que quisermos com ele.”

Veja quem são os vencedores do Prêmio Olhar Brasília de Fotografia

Nas categorias amador e profissional, 6 fotos foram premiadas. Cerca de 40 irão participar de exposição.


Vencedor do Prêmio Olhar Brasília – Menção honrosa, categoria profissional — Foto: Vinícius Santa Rosa

O Prêmio Olhar Brasília de Fotografia divulgou os nomes dos seis vencedores nas categorias amador e profissional. O concurso, que celebrou os 59 anos da capital, convidou os moradores para que registrassem – em imagens – o amor pelo “quadradinho”.

Foram cerca de 500 inscrições de moradores de várias regiões do DF. Eles usaram máquinas fotográficas ou o telefone celular para fazer os registros.

Além das fotos premiadas, 40 imagens irão para uma exposição, em junho, no Venâncio Shopping. No segundo semestre, de acordo com as organizadores do prêmio, a mostra vai percorrer as unidades do Sesc no Distrito Federal.

Conheça os vencedores


Categoria profissional

  • Francisco Saldanha, 1º lugar
  • Gustavo Moreno, 2º lugar
  • André Luis Abrahão, 3º lugar
  • Mensão honrosa: Vinícius Santa Rosa (primeira foto)


Categoria amador

  • Diovane Zica Ferreira, 1º lugar
  • Thiago Barreto Braga, 2º lugar
  • Dilton Alves Café Filho, 3º lugar


Vencedor do Prêmio Olhar Brasília – 1º lugar categoria amador com uma imagem de Águas Claras — Foto: Diovane Zica Ferreira

Movimento por Brasília

O Olhar Brasília de Fotografia marca a temporada 2019 do movimento ‘Mexeu com Brasília, Mexeu Comigo’, que foi abraçado por centenas de brasilienses nos últimos dois anos.

O site que leva o mesmo nome do concurso, foi criado pelas jornalistas Marcia Zarur e Samanta Sallum. Lançada em junho de 2017, a proposta se transformou em um movimento incorporado pelos moradores do DF, o “Mexeu com Brasília, Mexeu Comigo”

No último dia 9 de maio, um evento no Museu da República marcou a entrega do Premio Olhar Brasília de Fotografia. Cerca de 30 fotos, de todas as regiões do DF, foram projetadas na cúpula do museu.

Além das imagens premiadas, 40 fotografias irão para uma exposição, em junho, no Venâncio Shopping. Já no segundo semestre, segundo as organizadores do prêmio, a mostra irá percorrer unidades do Sesc no Distrito Federal.


Vencedor do Prêmio Olhar Brasília – 2º lugar categoria amador com uma imagem de Samambaia — Foto: Thiago Barreto Braga