Com belas fotografias da natureza, adolescente busca sensibilizar as pessoas sobre a proteção do meio ambiente

Com apenas 12 anos, Sophie Cardia já conta com diversas imagens e técnicas. Prática também uniu a garota e o pai, que é professor e fotógrafo.

A paixão pelo meio ambiente, cujo Dia Mundial é celebrado nesta quarta-feira (5), e pela fotografia começou cedo para Sophie Cardia, de 12 anos. Junto a seu pai, o fotógrafo Rubens Cardia, a garota faz vários registros de animais e passa por alguns “apuros”.

Além de um hobby, a prática também uniu pai e filha – ele, professor universitário e mestrando, e ela, estudante e escoteira.

A família, de São José do Rio Preto (SP), mora em Álvares Machado (SP) há cinco anos.

Há cerca de dois anos, Sophie começou a fotografar “por brincadeira” alguns ipês. Ao mostrar as imagens ao seu pai, ele viu uma boa composição e logo a convidou para fotografar algumas corujinhas que estavam “morando” em seu condomínio.

A partir de então, os registros não pararam e pai e filha costumam sair pelo menos uma vez por mês para fotografar.

O local mais frequentado é o Parque Ecológico da Cidade da Criança, em Presidente Prudente (SP), onde a adolescente também desenvolve as atividades junto ao grupo de escoteiros que integra. Ela está no escotismo desde os seis anos de idade.

Conscientização

Fotografar animais não é uma tarefa fácil. Exige paciência e determinação, e Sophie sabe bem disso.

“Às vezes eu esqueço de ajustar alguma coisa na câmera, mas, quando sai uma boa foto, eu fico bem feliz, pois é difícil fazer a foto perfeita”, conta.

As “musas” preferidas de Sophie são as aves, pela beleza e pela facilidade de localizá-las. Contudo, para a jovem, o mais importante da fotografia de natureza é a possibilidade de conscientizar as pessoas.

“Eu acho que a fotografia de natureza pode sensibilizar as pessoas e fazer as pessoas respeitarem os animais e a natureza”, ressalta.

Em uma foto das fotos que fez, a garota registrou um macaco comendo o resto de sorvete em um copo e lamentou a situação.

“Dá muita dó, pois ele devia estar com sede ou com fome, eles passam fome e isso é triste”, explica.

Há também o registro de outro macaco bebendo refrigerante direto da latinha, como se fosse um ser humano.

“O animal, ao se alimentar dessa forma, pode ficar doente e agressivo, podendo até nos atacar”, completa Rubens.

Técnicas

A experiência de chegar perto de um animal silvestre pode ser apavorante para uns e, para Sophie, não é diferente, mas poder registrá-los em completa harmonia com a natureza é o que a faz seguir em frente.

“Tenho medo de algum animal me picar, mas vou mesmo assim”, comenta, ao falar sobre a fotografia que fez de uma aranha (Nephila sexpuntacta) que estava bem próxima dela e o vento era forte no local.

Para se aproximar dos animais, ela utiliza conhecimentos que adquiriu no escotismo.

“Saber por onde pisar e ir por trás do animal para ele não perceber que tem pessoas ali, respeitar o espaço dele”, detalha Sophie.

Um dos métodos é a tocaia, usado em várias ocasiões. Mas uma delas foi o registro de uma mãe pardal alimentando seu filhote. Sophie demorou cerca de duas horas até se aproximar com cuidado, se esconder e fazer a foto.

Na questão técnica da fotografia, Rubens conta que a filha é perseverante ao desenvolver uma técnica fotográfica. “Tem técnicas que a Sophie domina mais do que muitos alunos meus”, comenta.

“Criança dificilmente se interessa por algo e vai fundo, mas com a Sophie foi diferente”, diz Rubens.

Divulgação

Sophie faz o uso das redes sociais para divulgar suas imagens. Ela posta as fotos em sua conta no Instagram, onde também pode acompanhar o trabalho de outros fotógrafos.

Em suas postagens, a adolescente adiciona os nomes popular e científico dos animais fotografados, algo importante na fotografia de natureza, pois possibilita que pessoas de outras regiões do Brasil, e até de outros países, identifiquem a espécie.

A informação é obtida por meio de pesquisas na internet e com a ajuda de um biólogo que é primo de Rubens.

Paternidade

Rubens tem uma rotina corrida. Ele leciona matérias de fotografia em duas instituições diferentes, uma em Presidente Prudente e outra em Assis (SP), e concilia o trabalho com o mestrado. “É puxado, passo boa parte da semana fora, mas dá para sairmos juntos”, conta.

A vida de Rubens sempre teve ligação com a fotografia, mas acabava ficando um pouco afastado da família, contudo, com o interesse da filha pela área, eles estão mais próximos. “Antes era só eu, e hoje passamos mais tempo juntos, fazendo o que gostamos”, afirma.

“Tem pai que leva os filhos para pescar, eu levo a minha pra fotografar”, brinca Rubens ao comparar a fotografia com a pescaria, sendo a câmera a “vara” e o “peixe” a foto.

Futuro

Sophie não possui planos profissionais para o futuro. Comenta que ainda é nova para pensar em determinar um caminho para seguir, e seu pai concorda.

“Se ela escolher esta área [fotografia], ótimo, se não, ótimo também, a deixamos bem livre para escolher”, afirma Rubens.

Referências

Os fotógrafos de natureza são bem conhecidos por capturarem as ações mais espontâneas dos animais.

Entre as referências de Sophie, ela seleciona três: o espanhol Carlos Pérez Naval, de 14 anos, que já ganhou cinco vezes o prêmio de melhor fotógrafo de natureza; o fotógrafo húngaro Bence Máté, de 34 anos, também premiado; e o norte-americano Joel Sartore, de 56 anos, que trabalha com animais ameaçados.